Estou certa de que todos vocês já se deram conta de que existe hoje uma diversidade de formas de se aplicar o método Pilates e, dando suporte a isso, diversas leituras que são feitas do método.
Encontramos, por um lado, o Pilates Clássico, desenvolvido com excelência através de escolas como The Pilates Studio e Power Pilates, que desenvolvem o método seguindo o ensinamento de Joseph Pilates à risca: nomes, exercícios, sequências de aulas, etc. e, com certeza, obtendo grande sucesso.
De outro lado, mas não em conflito, encontramos escolas como a Physio Pilates, Stott Pilates, CGPA, Physicalmind Institute entre outras, que recebem a denominação de Pilates Evolved. Ensinam, também, o repertório de exercícios de Joseph, respeitando seus princípios, porém fazem uma releitura de alguns elementos baseando-se nas pesquisas científicas mais atualizadas. Além disso, propõem novos repertórios seguindo os mesmos ideais e buscando os mesmos objetivos do método tradicional.
Além destas, existem inúmeras outras escolas desenvolvendo o método de acordo com sua forma de interpretá-lo.
Ao longo dos meus anos de prática e com a feliz oportunidade de ter tido acesso à diversas escolas, tanto através de cursos quanto de aulas, eu fui criando o meu próprio olhar, fazendo a minha leitura.
Vocês conhecem muito sobre ela através dos posts do blog, pois faz parte da minha visão, tanto de Pilates quanto de mundo, compartilhar conhecimento. E a minha tendência, sem dúvida, é a do Pilates Evolved, ainda que eu adore fazer uma boa aula de Clássico.
Mas por que o Evolved?
Eu acredito, como professora de movimento, que a possibilidade de adaptarmos, através de modificações diversas, o vasto repertório de Pilates, bem como associá-lo a diversas outras técnicas, nos permite ampliar muito o público alvo e atender a um número muito maior de objetivos. E podemos fazer isso sem descaracteriza-lo.
Da mesma forma, aplicando adaptações e utilizando associações, eu vejo os princípios de uma forma bastante pessoal. Para que possamos reorganizar nosso movimento, nos primeiros momentos, primeiras aulas de Pilates, o princípio da concentração é uma chave fundamental.
A fluidez virá com mais força depois.
Como desenvolvo no post http://pilatespaco.blogspot.com/2009/07/praticar-pilates-fazer-o-download-de.html é preciso que estejamos atentos, despertos aos pequenos gestos, alertas ao que diz nosso aluno, para que possamos, como instrutores, indicar caminhos que permitam ao aluno efetuar pequenas mudanças motoras que abrirão os novos caminhos de movimento.
O Dr. Paul Hodges e a equipe de australianos estudiosos de estabilização da coluna lombar através da boa utilização do CORE, ensina em seus cursos a ativação específica de músculos difíceis de serem acionados conscientemente, por terem alavancas mínimas sendo músculos estabilizadores. Ele estimula que as pessoas com lombalgias, por exemplo, aprendam a ativar, inicialmente, grupos como multífidos, transverso do abdome, ativação eficiente do diafragma respiratório e pélvico para depois, pouco a pouco, associar essas ações a gestos motores maiores, funcionais.
Quando falo na ênfase à concentração, volto a falar na descoberta do prazer dos deslizamentos, dos locais aonde os ossos se articulam, das primeiras camadas musculares (músculos locais) que envolvem as articulações e, ao mesmo tempo, são capazes de criar os mínimos espaços (decoaptações) que permitem os deslizamentos e a consciência sobre eles. Aplicar este pensamento as vértebras, por exemplo, já nos remete a um outro princípio, o do alongamento axial.
É claro que a fluidez, o alongamento axial, a respiração, são todos necessários no início, mas se fossemos dar porcentagens de importância aos diversos princípios, a concentração no começo do trabalho de Pilates é o que garante que iremos desenvolver controle sobre o nosso corpo até para, posteriormente, fluirmos com segurança. É a etapa que, na aquisição de habilidades motoras avançadas, seria a do incompetente inconsciente que passa a ser incompetente consciente e, em seguida competente consciente.
A concentração garante a ativação do CORE (power house), a concentração garante que iremos nos propor uma forma diferente de respirar, ainda que em seguida nos programemos para colocar esta descoberta de movimento intercostal e diafragmático num novo ritmo. E que este ritmo se torne o mais natural possível. É como se ela regesse os novos acontecimentos.
"É a própria mente que constrói o corpo", frase de Joseph Pilates.
É preciso estar ali, em cada pequena mudança de gesto, em cada nova sensação, em cada desligar de ombros e maxilares .
Depois, quanto mais eficazes nos tornamos, novos caminhos construídos, ou em construção, a fluidez, sem dúvida passa um rasteira na concentração. Ela já não é mais tão necessária, pois já estamos num momento corporal mais inteligente. A organização é outra e não temos mais que prestar tanta atenção para alcança-la, torna-se natural.
Chegamos aqui à última etapa da aquisição de habilidades motoras avançadas: a do competente inconsciente.
Obviamente não estou falando que nossas primeiras aulas devam ser paradas: estamos falando aqui de aulas de Pilates, com repertório, com fluidez, com tudo que temos direito, mas, na minha maneira pessoal de desenvolver o método, fica claro que existem fases.
E no início acreditamos que existe uma sugestão de movimento e uma dica, a qual depois se somará outra dica, de atenção específica ao gesto que se realiza.
É uma construção, ou ainda uma reconstrução, gerida pela mente.
É isso aí, o que vocês acham?
Beijos, Silvia.


