domingo, 4 de julho de 2010

Princípio da Concentração: "É a própria mente que constrói o corpo" (J. Pilates)

Olá pessoal!

Estou certa de que todos vocês já se deram conta de que existe hoje uma diversidade de formas de se aplicar o método Pilates e, dando suporte a isso, diversas leituras que são feitas do método.

Encontramos, por um lado, o Pilates Clássico, desenvolvido com excelência através de escolas como The Pilates Studio e Power Pilates, que desenvolvem o método seguindo o ensinamento de Joseph Pilates à risca: nomes, exercícios, sequências de aulas, etc. e, com certeza, obtendo grande sucesso.

De outro lado, mas não em conflito, encontramos escolas como a Physio Pilates, Stott Pilates, CGPA, Physicalmind Institute entre outras, que recebem a denominação de Pilates Evolved. Ensinam, também, o repertório de exercícios de Joseph, respeitando seus princípios, porém fazem uma releitura de alguns elementos baseando-se nas pesquisas científicas mais atualizadas. Além disso, propõem novos repertórios seguindo os mesmos ideais e buscando os mesmos objetivos do método tradicional.

Além destas, existem inúmeras outras escolas desenvolvendo o método de acordo com sua forma de interpretá-lo.
Ao longo dos meus anos de prática e com a feliz oportunidade de ter tido acesso à diversas escolas, tanto através de cursos quanto de aulas, eu fui criando o meu próprio olhar, fazendo a minha leitura.

Vocês conhecem muito sobre ela através dos posts do blog, pois faz parte da minha visão, tanto de Pilates quanto de mundo, compartilhar conhecimento. E a minha tendência, sem dúvida, é a do Pilates Evolved, ainda que eu adore fazer uma boa aula de Clássico.

Mas por que o Evolved?
Eu acredito, como professora de movimento, que a possibilidade de adaptarmos, através de modificações diversas, o vasto repertório de Pilates, bem como associá-lo a diversas outras técnicas, nos permite ampliar muito o público alvo e atender a um número muito maior de objetivos. E podemos fazer isso sem descaracteriza-lo.

Da mesma forma, aplicando adaptações e utilizando associações, eu vejo os princípios de uma forma bastante pessoal. Para que possamos reorganizar nosso movimento, nos primeiros momentos, primeiras aulas de Pilates, o princípio da concentração é uma chave fundamental.
A fluidez virá com mais força depois.

Como desenvolvo no post http://pilatespaco.blogspot.com/2009/07/praticar-pilates-fazer-o-download-de.html é preciso que estejamos atentos, despertos aos pequenos gestos, alertas ao que diz nosso aluno, para que possamos, como instrutores, indicar caminhos que permitam ao aluno efetuar pequenas mudanças motoras que abrirão os novos caminhos de movimento.

O Dr. Paul Hodges e a equipe de australianos estudiosos de estabilização da coluna lombar através da boa utilização do CORE, ensina em seus cursos a ativação específica de músculos difíceis de serem acionados conscientemente, por terem alavancas mínimas sendo músculos estabilizadores. Ele estimula que as pessoas com lombalgias, por exemplo, aprendam a ativar, inicialmente, grupos como multífidos, transverso do abdome, ativação eficiente do diafragma respiratório e pélvico para depois, pouco a pouco, associar essas ações a gestos motores maiores, funcionais.

Quando falo na ênfase à concentração, volto a falar na descoberta do prazer dos deslizamentos, dos locais aonde os ossos se articulam, das primeiras camadas musculares (músculos locais) que envolvem as articulações e, ao mesmo tempo, são capazes de criar os mínimos espaços (decoaptações) que permitem os deslizamentos e a consciência sobre eles. Aplicar este pensamento as vértebras, por exemplo, já nos remete a um outro princípio, o do alongamento axial.

É claro que a fluidez, o alongamento axial, a respiração, são todos necessários no início, mas se fossemos dar porcentagens de importância aos diversos princípios, a concentração no começo do trabalho de Pilates é o que garante que iremos desenvolver controle sobre o nosso corpo até para, posteriormente, fluirmos com segurança. É a etapa que, na aquisição de habilidades motoras avançadas, seria a do incompetente inconsciente que passa a ser incompetente consciente e, em seguida competente consciente.

A concentração garante a ativação do CORE (power house), a concentração garante que iremos nos propor uma forma diferente de respirar, ainda que em seguida nos programemos para colocar esta descoberta de movimento intercostal e diafragmático num novo ritmo. E que este ritmo se torne o mais natural possível. É como se ela regesse os novos acontecimentos.

"É a própria mente que constrói o corpo", frase de Joseph Pilates.

É preciso estar ali, em cada pequena mudança de gesto, em cada nova sensação, em cada desligar de ombros e maxilares .

Depois, quanto mais eficazes nos tornamos, novos caminhos construídos, ou em construção, a fluidez, sem dúvida passa um rasteira na concentração. Ela já não é mais tão necessária, pois já estamos num momento corporal mais inteligente. A organização é outra e não temos mais que prestar tanta atenção para alcança-la, torna-se natural.
Chegamos aqui à última etapa da aquisição de habilidades motoras avançadas: a do competente inconsciente.

Obviamente não estou falando que nossas primeiras aulas devam ser paradas: estamos falando aqui de aulas de Pilates, com repertório, com fluidez, com tudo que temos direito, mas, na minha maneira pessoal de desenvolver o método, fica claro que existem fases.
E no início acreditamos que existe uma sugestão de movimento e uma dica, a qual depois se somará outra dica, de atenção específica ao gesto que se realiza.
É uma construção, ou ainda uma reconstrução, gerida pela mente.

É isso aí, o que vocês acham?
Beijos, Silvia.

quarta-feira, 16 de junho de 2010

O Conceito de ambientes no trabalho de Pilates: estranho e familiar

Quando fazemos o curso de formação da Polestar,somos apresentados ao conceito de ambientes. Denominados ambiente familiar e ambiente estranho é uma proposta simples, que funciona muito bem e é de fácil compreensão.

A idéia é a seguinte: ambiente familiar é aquele no qual o gesto reproduzido no exercício se assemelha em muitas coisas ao gesto funcional. Por exemplo, o Standing Leg Pump na cadeira, é um exercício feito em pé, com um pé no solo em cadeia fechada, e a outra perna flexionada, com o pé pressionando o pedal, em cadeia pseudo.
Este gesto reproduz situações corriqueiras e extremamente funcionais do nosso cotidiano, como andar, subir escadas e degraus.

O ambiente estranho, por sua vez, é aquele que nos coloca numa situação inusitada, ou seja, realizamos um gesto numa situação “estranha”. Um exemplo clássico disso no estúdio de Pilates é o footwork na Reformer. Flexionar e estender os joelhos ou mesmo saltar (com a jump board) deitado é uma situação pouco usual.

Mas e daí? Como utilizar essas diferentes opções e por que?

Vamos imaginar que estamos diante de um aluno com um padrão de movimento pouco eficiente, com dificuldade para manter um bom alongamento axial em pé. Ele “desmonta” em cima de sua coluna, aumentando suas curvas fisiológicas, sem consciência de seu centro.

O instrutor quer propor para ele situações de alongamento axial, ativação do centro (abdome, assoalho, dorsais), para que o seu estar em pé torne-se mais eficiente.
“Já sei!”, pensa o instrutor, “vou colocá-lo para fazer o Standing Leg Pump”, assim ele treina justamente ficar em pé com uma organização melhor.
Está correto? Sim, é uma forma de pensar.

Vamos pensar agora por outro caminho, através do conceito de ambientes: quando colocamos um aluno para reproduzir um gesto cotidiano, diretamente na situação em que ele mais se desorganiza, estamos propondo para ele um grande desafio.
Muito maior do que seria se estivesse num ambiente estranho.
Aquela situação é conhecida e é nela aonde a falta de estrutura está mais instalada, onde os caminhos neurais estão mais viciados.Reveja a postagem http://pilatespaco.blogspot.com/2009/07/praticar-pilates-fazer-o-download-de.html

Vamos dizer que eu opte por despertar seu centro, ativar sua musculatura dorsal, em um ambiente estranho, ou seja: fazê-lo trabalhar tudo que for necessário para o momento do estar em pé, mas em outra posição, por exemplo, em decúbito lateral.
Podemos fazer Leg Spring Series, para desafiar sua estabilização de centro e mobilizar sua articulação coxo femoral, podemos propor Kneeling Arms Series na Reformer, para desafiar sua estabilização com descarga de peso nos joelhos, Pulling Straps na Long Box para despertar e ativar sua musculatura dorsal e mil outras coisas.

A idéia é que, quando estamos em uma postura diferente, novos caminhos nervosos são ativados. Equilibrar o corpo em um decúbito lateral é um gesto pouco usual, novo. Ativar a musculatura dorsal alinhando a coluna neutra em decúbito ventral, é inédito! E nos dois sentidos: aferentes e eferentes. Não é habitual, geralmente, realizar atividades equilibrado no trocânter e nas escápulas, ou pensar no apoio do púbis e esterno no solo.
Optar pelo ambiente estranho é gerar novos caminhos de conscientização corporal e, consequentemente, facilitar a reorganização.

Precisamos lançar mão de novas estratégias musculares para manter nosso esqueleto nessas situações “estranhas”, tanto parado, quanto em movimento.
É mais fácil recrutar músculos importantes, inicialmente, em um ambiente estranho, do que numa situação usual.

Aí, depois que a musculatura estiver mais organizada, já com alguma eficiência, vamos colocar o aluno na situação do gesto funcional, já com uma estrutura mais preparada para encarar o cotidiano. Mesmo que seja o cotidiano reproduzido num gesto funcional!

É isso aí! O que vocês acham?
Beijo, Silvia.

terça-feira, 15 de junho de 2010

TRAVA LÍNGUAS


Oi pessoal!

No final de semana passado tive a oportunidade de fazer o curso de Transição como ouvinte com a professora Waneska, uma das educadoras da Physio Pilates.
Formada em Dança, Waneska é uma educadora extremamente competente, não apenas pelo domínio do conteúdo, mas pela forma que faz o grupo (no qual me incluo), pensar o movimento, compreender o exercício em profundidade, de que forma ele pode progredir e regredir, como ele pode ser contextualizado nos diversos programas.
Acrescente-se a isso um senso de humor maravilhoso, que faz com que o denso conteúdo do curso, seja costurado por risadas e momentos leves sem, em nenhum momento, perder o foco e a seriedade do que se está trabalhando.

Foi nessa maratona que acabamos desenvolvendo uma série de trava línguas, utilizando os exercícios do repertório Polestar (com a nomenclatura oficial criada por Joseph Pilates).
Dei uma floreada e aí está para degustação dos Pilateiros de plantao:

Pilateiro estudioso,
Scooter bem, preste atenção:
Repita 3 vezes,
sem mostrar indecisão!

Corckscrew, Scarecrow
Corckscrew, Scarecrow
Corckscrew, Scarecrow

Spine strech, Supine strech
Spine strech, Supine strech
Spine strech, Supine strech

Sobe cresce, desce cresce
Sobe cresce, desce cresce
Sobe cresce, desce cresce

Tem Bridging no Breathing
Tem Bridging no Breathing
Tem Bridging no Breathing


Spine strech no spine corrector
Spine strech no spine corrector
Spine strech no spine corrector



Feet in straps e spring leg series
Feet in straps e spring leg series
Feet in straps e spring leg series

quarta-feira, 9 de junho de 2010

Reposições: um assunto polêmico nos estúdios de Pilates.

Olá pessoal!

Ainda compartilhando minha experiência sobre organização de estúdios, resolvi levantar um ponto bastante conflituoso: as reposições.
Não conheço nenhum coordenador de estúdio que não tenha passado por maus bocados por causa disso: oferecer ou não reposição, repor ou não feriados, prorrogar ou não o plano por ausência médica, manter ou não a vaga quando há congelamento do plano.

Lembro-me de, nos idos de 2002, a pedido da minha então chefa na Bahia, ter escrito uma cartinha aos alunos, colada no espelho dos vestiários. O estúdio contava na época com três salas, sendo uma para doze alunos simultâneos com dois professores e mais duas, com um professor em cada, para atender seis alunos. Aulas nas três salas o dia inteiro!

Vocês podem imaginar o número de reposições que eram solicitadas...

Tenho uma amiga que é novata de estúdio e que fica chateadíssima quando os alunos faltam sem avisar: acha que é uma tremenda falta de respeito. Ela vai negociando as reposições uma a uma, conforme um critério pessoal de julgamento: é válido, já que ela atende sozinha e, no máximo, duas pessoas por horário.

Eu mesma já criei diversos tipos de regras, coo por exemplo:

• Não fazemos reposições,
• Reposições só para quem avisar com vinte e quatro horas de antecedência
• Reposição apenas para quem avisar até a hora da aula
• Reposição só em caso de saúde com exame médico
• Reposição de feriado apenas para quem faz uma vez por semana (para que a pessoa não passe quinze dias sem aula)
• Reposição perdida é aula perdida

Atualmente temos algumas regras, mas são bastante flexíveis.
Os estúdios já têm algum tempo e um número razoável de alunos, entretanto estamos em São Paulo, onde, a cada dia, vejo inaugurar um novo estúdio de Pilates.
Não me sinto mal por isso: concorrência é saudável, afinal, aonde você vai quando quer comprar material eletrônico?
Na rua Santa Ifigênia, que tem uma loja colada na outra, dos dois lados da rua, além dos andares superiores.
Além disso, estúdios de Pilates comportam, em geral, um número pequeno de alunos, se comparado a uma academia por exemplo.

A rigor, a reposição não deixa de ser uma gentileza, afinal tudo estava lá: professores, equipamentos, vestiários, música... O único fator que frustrou a aula foi a ausência do aluno.
Desta forma, a única regra que mantenho desde que abri meu primeiro estúdio em 2003, e até hoje tento preservar, é não prorrogar a data de vencimento do plano.
Eu posso oferecer uma, duas ou até todas as reposições para ele, desde que sejam feitas dentro do plano vigente.

Olhando por outro ângulo, como professora que se preocupa com os alunos, temos um procedimento de, quando o aluno falta duas vezes seguidas, sem dar notícias, seu professor ( e não a recepção), entra em contato com ele para saber se está tudo ok.

Em relação a outras regras, hoje eu acredito que o ideal seja formulá-las de acordo com o momento do estúdio.
Se estivermos falando de um estúdio com muitos alunos, horários lotados, fila de espera, as regras podem, e até diria devem, ser rígidas, até porque não existe disponibilidade de vagas para que elas aconteçam.

Se, por outro lado, estivermos falando de um estúdio que está começando, com poucos alunos, espaço e tempo de sobra, as regras podem ser bem mais flexíveis, até porque o objetivo maior é casa cheia.

O local e a concorrência também são aspectos a serem considerados. Se há vários estúdios próximos com regras muito rígidas de reposição, ser flexível pode ser um bom diferencial para captar alunos.

Resumindo: regras ideais são aquelas que se adaptem ao seu estúdio, hoje, mas que possam ser remodeladas amanhã.

Lembrar que quanto mais articulados formos, menor atrito entre as juntas e os juntos!

E vocês, como lidam com as reposições?

Beijo, Silvia.
Minha foto
Sampa, SP, Brazil
Mulher, mãe, professora de Ed. Física, instrutora de Pilates, uma apaixonada pelo movimento: o meu, o seu, o de todos nós, o de todas as coisas..