quarta-feira, 24 de junho de 2009

Pilates nas bancas!

Olá pessoal!

Este mês a banca de revistas nos oferece uma grata surpresa: a revista Jeito de Viver da Editora On Line vem toda dedicada ao nosso tema predileto: Pilates.

O conteúdo da revista foi super feliz, tanto pela atualidade dos temas quanto pela qualidade das fotos. Não é para menos: os convidados foram todos de primeira linha.

Vou fazer uma breve resenha das matérias:

Em alto e bom som - a primeira matéria faz uma associação bacana de exercícios respiratórios básicos e mobilidade de coluna (como a ponte) com emissão de sons de vários tipos. As autoras foram Georgia Gugliotta e Monica Elizeche.

Qualidade de vida e auto confiança - série bacanérrima de exercícios no Pilates Arc (para quem não conhece um "brinquedo novo" , ou diria, revisitado, que é um step barrel de isopor!) com uma senhora modelo que deu um show. Respeitando os ensinamentos de Sherri Betz que estimula as extensões torácicas e de quadril não vemos uma flexão sequer na série. A autora é Maria Cristina Rossi Abrami do CGPA.

Pilates para reabilitação é um texto curto mas excelente que traz uma explicação compacta e eficiente do método destacando a importância fundamental da avaliação postural para qualquer praticante. O texto é da fisio Camila Vilela Taveira Silva.

Em ritmo de academia é uma aula avançada de Reformer que foi montada por ninguém menos que Alice Becker. Os exercícios são conhecidos, difíceis e, o mais importante, estão muito bem demonstrados pela instrutora e mentora em treinamento da Physio Alessandra Santos.

Pilates lúdico fala sobre uma nova e fantástica onda que é o Pilates para crianças. A aula foi organizada por Mayra Denovaro que é a instrutora que ministra, através da Physio Pilates, o workshop PIlates para Crianças.
As fotos estão fofas (além de precisas).

Equilíbrio, flexibilidade e força é uma aula também com um acessório que vem ganhando espaço, tanto nas academias quanto nos estúdios, que é o Bosú. As imagens de Amanda Manzini também estão bacanas, mas eu gostaria de ter estado por lá para limpar um pouco mais a execução dos exercícios. É difícil fazer fotos e nos corrigir ao mesmo tempo.

Desafio ao equilíbrio é uma série no rolo feita pela Luciana Ferreira, da Atma (escola que hoje oferece, inclusive, um curso de pós graduação em Pilates) e está bem bonita e desfiadora. O rolo aparece tanto em sua função de base de suporte reduzida e instável, quanto na de superfície deslizante. Apresenta também vários exercícios de prancha que são uma excelente opção para trabalhar força do CORE sem mobilidade de coluna

Multifuncionalidade sobre a plataforma é uma sequência que explora um acessório conhecido - a bola - que aparece numa nova forma: associado a uma prancha com theratubs fixos nela que podem ser utilizados como resistência ou assistência nos pés e/ou mãos. A matéria é, também , da professora Amanda Manzini. Os exercícios são na sua maioria bem bacanas. Alguns eu acredito que poderiam não estar ali porque são muito difíceis de serem executados com limpeza e isso aparece em algumas fotos.

No final ainda há algumas indicações de leitura de livros que estão no mercado.

A revista como um todo é um sucesso! Muito bacana mesmo.

É possível comprá-la online pelo http://loja.revistaonline.com.br/online/vitrines/detalhes/Detalhe20974.asp


Guardada as devidas proporções está no nível de uma Pilates Style (www.pilatesstyle.com) que, aliás, é fácil de assinar desde que se tenha um cartão de crédito internacional.

Leiam e me contem, abraço, Silvia.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Descansando o braço em sua articulação.

Um elemento importante que devemos levar em consideração quando trabalhamos com estabilização da cintura escapular é a compreensão da movimentação das escápulas em relação ao úmero.
Este entendimento auxiliará o instrutor a escolher dicas verbais e tácteis adequadas aos seus alunos. É importante estimulá-los a compreender as mudanças de posição das escápulas para que essas atuem a favor da estabilização do ombro e consequente liberação da tensão do pescoço.

Utilizamos muito nas aulas expressões como "abaixe os ombros", relaxe os ombros" e são, de fato, muito úteis.
Tenho notado, entretanto, que recomendações, dicas que remetam mais a peças ósseas, à sensações articulares - como a busca dos deslizamentos, a idéia dos tobogans internos - são muito mais eficazes. Observe ao lado a imagem de Eric Franklin.
Quando elevamos o braço, a escápula gira no próprio eixo. Desta forma a cavidade gleno umeral, aonde se insere o úmero, vira sua "boca" mais para cima permitindo que o braço, mesmo estendido e elevado acima da cabeça, tenha aonde repousar, descansar.

Outra imagem fantástica do Eric Franklin é a da areia acumulada acima das espinhas das escápulas que é derrubada pelos lados da coluna quando os braços sobem e elas giram no próprio eixo. Observem no segundo desenho, o da areia caíndo, o úmero lá em cima e completamente apoiado e descansando dentro da glenoumeral. Vejam que bacana!!


É fundamental que estimulemos o aluno a despertar para essas sensações.
1) Coloque as mãos sobre uma escápula do aluno e, enquanto o mesmo eleva o braço, acompanhe o movimento da escápula como se girasse uma maçaneta para dentro
2)Coloque as duas mãos simultaneamente, uma em cada escápula e gire as duas maçanetas para dentro, enquanto os dois braços elevam estendidos ou saindo da flexão para extensão, para cima.
3) Outra ação muito boa é , como na foto ao lado, enquanto a barra torre da assistência para a elevação do braço, o instrutor tracionar o úmero do aluno suavemente para dentro, em direção a seu encaixe na escápula (gleno umeral).
4) Lembre-se de incentivar no aluno a busca dos deslizamentos durante todas essas ações.

É isso aí, experimentem e me contem! Beijo, Silvia.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Nossos tobogans internos.

A imagem dos tobogans internos surgiu dentro do contexto das aulas. Ali mesmo, no berço aonde quase todas as imagens nascem.


Quando pedimos para que o aluno busque sentir sua articulação em movimento, pedimos para ele busque se concentrar e acessar sensações de deslizamento.


Quando movemos uma articulação de forma que haja permissão dos músculos grandes para que os pequenos decoaptem, criem espaço nas articulações, antes que eles entrem em ação (se houver necessidade de sua presença), criamos um local e um momento de deslizamento.


Os locais aonde os ossos se articulam, muitas vezes suas extremidades, são recobertas por cartilagem, uma forma de tecido conjuntivo extremamente liso. Nestas regiões de contato entre duas superfícies extremamente lisas que se articulam, encontramos ainda uma cápsula cheia de sinóvia, que é o lubrax 4 do corpo.


Muito bem: vamos pensar em quantas pessoas se deslocam e investem em busca de sensações de deslizamento – esquiar na neve, no gelo, com rodas in-line ou on-line; surfar, velejar, andar de skate; escorregar em toboáguas, dunas de areia em pedaços de papelão, etc.


Qual é o brinquedo mais tradicional em parques de bairros? O escorregador, na Bahia chamado de escorregadeira. O que buscam as crianças além da sensação de deslizar, de deslocar-se, escorregar, com o mínimo de atrito?


Quando lubrificamos nossos carros, portas, nossos aparelhos de Pilates, quando vamos atrás de uma boa Reformer - qual é sua grande característica senão o carrinho que desliza macio, quase sem atrito.

Muito bem: o que garante a execução de movimentos fluidos é a continuidade, a ausência de “trancos” que são como atritos durante um gesto que poderia ser contínuo.


Retomando nossas articulações. Nós temos essas sensações de deslize aqui e agora, dentro do nosso corpo. São os movimentos articulares que, quando executados de forma adequada, livre de tensões e sobrecargas excessivas nos trazem a mesma sensação.

São nosso tobogans internos.


Pratiquem a busca dessas sensações. Pode ser num micro movimento de não, sim ou qualquer outro com a cabeça; num braço que balança solto numa caminhada; num quadril que desliza maciamente dentro do fêmur...

Experimentem e me contem, abraço, Silvia.

terça-feira, 12 de maio de 2009

As extensões de ombros e a organização da postura.





















As extensões dos ombros são exercícios extremamente importantes no ambiente de Pilates pela sua eficácia no processo de organização postural.

Elas aparecem em vários momentos do repertório em diferentes situações, cadeias, decúbitos, desafios.


Os músculos extensores dos ombros, ou seja, da articulação escapulo umeral são o redondo maior, redondo menor, porção posterior do deltóide e grande dorsal.


Para facilitar a compreensão, a articulação escapulo umeral é a junta aonde se conectam o úmero – osso do braço que vai do cotovelo ao ombro – e a escápula – osso plano que vai das costas até o ombro – na realidade, ele forma o ombro.


Se colocarmos a mão esquerda sobre a “ponta” do ombro direito estaremos com a mão sobre parte da escápula (mais precisamente o acrômio). Muito bem, a extensão do ombro é o movimento de levar o braço para trás conforme figura à direita.

Quando executamos este movimento, muitas vezes, acabamos projetando a tal da escápula para cima e para frente e “enrolamos” nosso ombro.

Quando essa situação se repete mais e mais acabamos mantendo esse ombro enrolado, com sua musculatura tensa (claro que associada também a uma musculatura peitoral encurtada pela falta de alongamento e mais nossas histórias de vida) e desta forma, encontramos uma postura inadequada.


Quando realizamos o movimento buscando a forma correta, contribuímos para uma reorganização do ombro e da postura.


Prática

  • Primeiro apenas experimente colocar a mão direita sobre o ombro esquerdo, mantê-la parada enquanto balança suavemente o braço esquerdo para frente e para trás. Agora exagere levando o braço muito atrás e veja como o ombro acaba subindo e enrolando para frente.
  • Vamos agora praticar com as alças da Reformer nas mãos, sentados na caixa.
Deixamos o ar entrar suavemente pelo nariz enquanto expandimos nossas costelas lateralmente.
Enquanto esvaziamos longamente o ar, trazemos as alças um pouco para trás devagar procurando manter o espaço nas clavículas (ossos da saboneteira).
Não há pressa, estamos investigando o movimento.
Queremos também manter espaço na nuca que, longa, espreguiça-se para cima; orelhas e acrômios (ombros) vão em direções opostas.
É importante pensar que todo o braço traz a corda para trás e não apenas a mão traz a alça.
Se pensarmos apenas nas mãos, a tendência é acontecer uma alavanca de mão para trás e ombro para frente.
  • Quando acabar o ar e o braço estiver suavemente estendido com ombros baixos e pescoço longo, mantenha essa situação enquanto o ar entra e, delicadamente, você permite que o braço deslize oleosamente pela articulação, abaixo do ombro voltando à posição inicial.

A corda levará o braço para frente, não é necessário fazer esforço.

Enquanto realiza o movimento continuando a estudá-lo, procure focar sua atenção na sua respiração e seu centro.

Quando inspirar, relaxe seu assoalho pélvico e expanda suas costelas lateralmente e para trás.

Enquanto expira ative seu centro abaixando costelas, elevando ânus, sugando seu abdome para dentro e para cima. É nesse momento que os braços estarão indo para trás.

Na inspiração apenas mantenha a estabilização das suas escápulas e curta esse momento tobogã de deslizamento do braço (úmero) em sua articulação.


  • Deixe o ar entrar e sair de maneira fluida enquanto os braços vão para frente e para trás, deslizando abaixo do acrômio, sempre mantendo sua nuca longa, seus peito e suas costas espaçosas.

É isso aí, experimentem e me contem!


obs. Figura tirada do livro Anatomia para o Movimento de Blandine Calais, ed. Manole.

Minha foto
Sampa, SP, Brazil
Mulher, mãe, professora de Ed. Física, instrutora de Pilates, uma apaixonada pelo movimento: o meu, o seu, o de todos nós, o de todas as coisas..