segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Organizando o movimento através da busca de congruência articular.

Olá pessoal!

Mês passado tive a felicidade de participar de um curso excelente e que eu sempre quis fazer: o Coluna Avançada da Polestar, ministrado pelo Brent Anderson (o presidente desta instituição) e com o atencioso suporte, complementação e presença ativa da Taíra, a educadora da Physio que, geralmente, ministra o curso aqui no Brasil.

Foi excelente! Não apenas pelo conteúdo em si, exercícios, discussões, encontro e troca com outros educadores, mas por toda a filosofia que acompanha o trabalho do Brent e, consequentemente, da Polestar (setor de Educação da Physio Pilates).

Fiz diversas anotações na apostila, frases soltas, e fiquei me dando um tempo, digerindo, fazendo conexões com meus saberes, buscando outros materiais que me dessem suporte a tantas coisas que foram ditas, experienciadas e vivenciadas naqueles dois dias.

Entre as idéias uma que ficou insistentemente ziguezagueando na minha cabeça foi a da congruência articular. A congruência articular é o melhor encaixe que podemos proporcionar às nossas articulações seja em situação de repouso como deitados ou descansando, quanto em situações de movimento.

O questionamento pairava, num exemplo concreto, entre duas dicas que costumamos dar no estúdio e que, a principio, parecem ser opostas por estimularem diferentes ações e intenções de movimento. Vamos pensar no exemplo de um trabalho de pernas, o Feet in Straps, ou o Spring Leg Series.

Veremos frequentemente instrutores falando: “Mande a perna longe, risque as paredes, o teto” e, por outro lado, “Deixe o fêmur sinucar para dentro, pense no fêmur cavando na articulação”.


Um fato que já nos clareia a mente sobre as duas dicas e imagens, é o fato de que a lubrificação se dá pela ação combinada de compressão e descompressão das superficies que se articulam através da secreção de sinóvia (lubrax 4 do nosso corpo). Quanto maior a zona aonde isso ocorre maior e melhor a lubrificação. O movimento de delizamento articular também é importante espalhando a sinóvia como se untasse uma forma com óleo. A partir dessa idéia parece claro que, quanto maior a amplitude de movimento (ADM) dos nossos movimentos, maior será a qualidade de nossa lubrificação articular.

Por outro lado cabe associar essa idéia ao fato de que, a maior parte das lesões ocorre nos limites das amplitudes articulares. Trazendo ao desenvolvimento deste texto mais um comentário de Brent no curso coluna avançada: quanto maiores os músculos que entram em ação num determinado movimento, menor será a possibilidade de amplitude a ser alcançada.

Considerando que grande parte das pessoas que nos procuram são sedentárias, com histórico pobre de atividade física, seus músculos grandes, em geral, estarão encurtados. Lembrar que os músculos grandes são como grandes cabos ou tecidos elásticos que se inserem em pontos distantes gerando grandes alavancas. Desta forma sua entrada para a execução de grandes tarefas, sempre aumenta o risco de compensações, exigindo uma melhor consciência corporal para serem executados de maneira organizada.

Os musculos menores (também chamados locais) por sua vez, permitem uma acessibilidade mais efetiva a toda a articulação promovendo ganho de consciência corporal. Com uma melhor consciência sobre os locais aonde os movimentos acontecem (nas articulações), a entrada dos musculos grandes (também chamados globais) poderão ocorrer de maneira mais organizada, contribuindo no aumento da congruência articular.

A idéia é que a ação muscular, quando bem direcionada, tendo a resultante de força de seus vetores no centro das articulações, efetiva a compressão e consequente descompressão. Essa é a idéia do “cavar a articulação”, “sinucar o fêmur para dentro”. É a busca da congruência articular.

Estudos comprovam que quanto maior a carga sobre uma articulação (em situação de neutralidade) maior a sua rigidez . Desta forma o peso corporal e a gravidade, contribuem para a estabilidade e congruência articular.

Falando de nossa prática como instrutores, para promover no aluno a possibilidade de acessar sua melhor congruência nas diversas articulações, o que garantirá sua melhor saúde articular ao longo da vida é necessário proporcionar trabalhos diversificados.

Quando os alunos chegam até nós, geralmente vem em busca de orientação de movimento, em busca de uma postura mais organizada, de um ser corpo mais relaxado e confortável. Na maioria das vezes existem vários elementos em seu padrão motor que levam a contrações desnecessárias, compensações que geram tensão e muitas vezes dor.

Compensações, de maneira geral, são sinônimos de falta de congruência articular e falta de alongamento: os movimentos não estão acontecendo aonde deveriam acontecer e acabam arrastando outras partes do corpo de forma inadequada.

Desta forma é preciso, de certa forma, regredir, oferecer aos alunos experiências de movimento que permitam o despertar das sensações proprioceptivas, com movimentos com músculos menores em ação e menos risco de compensações. A partir daí, paulatinamente, aumentar os desafios para que haja uma reprogramação, uma novo processo de aprendizagem motora.

É preciso que os alunos compreendam que, mesmo nas grandes tarefas, a congruência deve estar presente através da sensação daonde o movimento ocorre. Desta forma otimizamos o gesto cotidiano livrando o corpo de compensações e dor.

É isso aí! O que vocês me dizem? Beijo grande, Silvia.

2 comentários:

Ágape Pilates disse...

Oi Silvia! Estou querendo fazer esse curso! Agora que vc comentou, minha vontade aumentou. Assim que tiver outro vou me inscrever! A maioria dos alunos pensa em movimentos grandes de braços, pernas, abdominais.. esquecendo da estabilização através do posicionamento da coluna, pelve, escápulas.. Gosto de explicar na aula experimental a importância de ativar estes músculos pequenos e profundos e portanto a importância da concentração para adquirir consciência corporal. Obrigada pelas informações. Abraços

Silvia Gomes disse...

Olá, que bom que você se animou a fazer o curso, é realmente excelente. Em relação aos alunos, creio que a sede deles por movimentos amplos de deva ao fato de nosso cotidianos nos impor uma ditadura de economia de movimentos: qualquer espreguiçar de braços para cima numa fila já chama atenção... flexionar o tronco à frente então.. até sentar com boa postura, na ponta da cadeira em meio a outros desmontados nos coloca frente a situações embaraçosas! Daí a importância de passarmos pelo profundo e caminharmos para o maior destacando a presença da boa colocação articular, como você bem chama atenção! Beijo grande, obrigada pela participação!

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Sampa, SP, Brazil
Mulher, mãe, professora de Ed. Física, instrutora de Pilates, uma apaixonada pelo movimento: o meu, o seu, o de todos nós, o de todas as coisas..